12.07.2004

Bernadete

Antes da cirurgia; Marcelo está no banho e o telefone toca.

Imaginário: Alô!
Bernadete: Alô, tudo bem Marcelo?
Imaginário: não é o Marcelo que está falando.
Bernadete: como assim? Quem é então?? Que avacalhação é essa? Exijo satisfações. Olha, você não me enrole que eu não tive um bom dia. Fala logo, ou eu te corto fora... (braba? Que nada)
Imaginário: calma senhora, primeiro me diga seu nome.
Bernadete: mas que falta de respeito! (pi) No meu tempo não era assim, meu filho enche a casa de homens mal educados e eu ainda preciso me identificar pra falar com ele? Vá (pi)...
Imaginário: você deve ser a mãe do Telo...
Bernadete: Telo? Que intimidade é essa? Que pouca vergonha meu Deus, que pouca vergonha.. no meu tempo não era assim...
Imaginário: senhora, sou amigo do Telo.
Bernadete: sei, sei. Ei bixa, deixa eu falar com meu filho logo antes que eu te coloque no milho.
Imaginário: ele tá no banho.
Bernadete: que banho o que... deixa eu falar com ele agorAAA.
Imaginário: alô? Tá me escutando?
Bernadete: to te ouvindo.
Imaginário: alô?
Bernadete: fala, alô!
Imaginário: não to te ouvindo, vou desligar...

TU TU TU TU

Imaginário: ops, caiu a ligação.

Imaginário vai pra faca

Imaginário: eu vou fazer minha cirurgia... de alto risco!
Imaginário: deixo aqui meu testamento...

Pro Marcelo: deixo minha dentadura...
Pro Marcelo: deixo minha coleção de camisinha...
Pro Marcelo: deixo minhas dívidas...
E pro Marcelo: deixo meu coração, meu fígado e meu rim.

Marcelo: pô parar... vai dar tudo certo.
Imaginário: e se não der?
Marcelo: se não der, você volta e me dá uma ajudinha tá?
Imaginário: buáááá, você encara a possibilidade de eu morrer?
Marcelo: bem, já fiz o discurso de enterro... é assim:

Num dia de alta visibilidade, nasce uma coisa que chamamos de Imaginário.
Imaginário, com nome inspirado no seu ser, é o que é, mas não parece o que parece ser.
Imaginário, que dedicou toda a sua vida a fazer os leitores do livro, aumentar a vida, dar um sorriso nos lábios das pessoas, hoje está morto, defuntado, enterrado, comido pelas minhocas. Mas imaginário também é cultura (marketing meu bein)...
Mas, (sempre tem um “mas”) se ele foi um pouco exacerbador de pornografias, se ele pecou, peço a Deus que perdoe ele, pois em seu interior, bem no fundo, ele era uma boa pessoa (depois de morto, todo mundo é bom...)

Imaginário: ei, eu sou ateu.
Marcelo: eu também...
Imaginário: então temos que mudar esse discurso.
Marcelo: pois é, sugestão?
Imaginário: assim:

Imaginário foi bom, foi tudo de bom, mas tá morto, quem quiser falar com ele, ligue: 0000006. Yasumi.