6.17.2004

Cinema Brasileiro

Marcelo: quem diz que o cinema brasileiro não é bom?
Imaginário: metade do Brasil fala isso.
Marcelo: pois é, mas tipo assim, eu não estar querendo me enrolar no assunto de filmes...
Imaginário: eu entendo...
Marcelo: eu sei que você me entende.
Imaginário: eu sei que você sabe que você me entende.
Marcelo: eu sei.
Imaginário: e eu sei, que esse seu: eu sei, significa o saber quanto a minha consciência do saber de seu "sei", e, mais simples, no âmbito da coisa, que basicamente quer dizer que saber de mim, é saber que eu sei, que você sabe, que na melhor da hipóteses, eu sei que você sabe, que nós sabemos, que eu sei que eu te entendo.
Marcelo: ou seja, você é bixa.
Imaginário: sim... como você sabe?
Marcelo: não era pra saber?
Imaginário: ai meu deus, será que muita gente sabe?
Marcelo: não te preocupa, só toda Santa Catarina.
Imaginário: ahh, assim eu durmo sossegado...
Marcelo: sempre.

Imaginário: o filme “Cazuza, o tempo não para” é tudo.
Marcelo: nem me fala, eu chorei muito, muito, muito, mas muito mesmo depois que o veado descobre que tem AIDS. Chorei mais da metade do filme.
Imaginário: sim, eu me lembro, perto daquelas choradeiras que soltam uma lágrima pelo cara amado, que sempre morre no final de história, você deu um show.
Marcelo: cê acha?
Imaginário: lógico.
Marcelo: ui, assim fico lisonjeado.
Imaginário: e boa “ui” nisso: sua camiseta toda molhada, seus olhos totalmente vermelhos, que andar pelo shopping com óculos escuros pra esconder seus olhos, nossa, isso sim foi tudo. Deu quase um litro de lágrimas, uma lágrima nem esperava a outra descer, era uma corrida de lágrimas pior que a fórmula 1. E isso, o pior é que foi por mais de 30 minutos, chorava, chorava e não parava, quase que eu mando o filme parar pra te tirar de lá.
Marcelo: eu to começando a sentir uma certa ironia nisso.
Imaginário: que nada lindo, gostoso, maravilhoso, é tudo verdade.
Marcelo: bem, cê acha mesmo?
Imaginário: acho.
Marcelo: ahh bom.
Imaginário: agora é que eu to pensando que tem uma certa pergunta repetida aí, só pra mim ficar te puxando o saco..
Marcelo: besha esperta!